Entrevista Especial
Nelson Araújo
Ano 6 - Edição 28 - Set/Out de 2014

Carbono - Crise & Oportunidade

Publicado em 23 de Setembro 2014

Carbono - Crise & Oportunidade

A maior preocupação dos principais líderes do mundo, nesses tempos de aquecimento global, é como reduzir as emissões de carbono e, assim, minimizar os efeitos desse fenômeno permitindo que a sua economia se mantenha forte no cenário mundial.

A economia dos países desenvolvidos é fortemente influenciada devido a sua localização, nas regiões setentrionais, onde ocorre maior variação de temperatura durante o ano, o que se nota pelas frequentes tempestades que atingem a Europa ou na temporada de furações na América do Norte. Entretanto, isso não significa que países em desenvolvimento, como o Brasil, ou que vivam à margem da economia global, não sofram também com esse efeito. As oscilações anômalas de temperatura e de pluviosidade são grandes causadores de prejuízos à agricultura, à pecuária e ao extrativismo, importantes setores dessas economias.

Atento-me somente ao aspecto econômico, não querendo desprezar a incalculável perda de vidas humanas, o aquecimento global é sinônimo de prejuízo para a economia mundial, o que torna a busca pela solução um problema de todos os países, já que gás carbônico não tem passaporte pra viajar pela atmosfera.

Contudo, é necessário que países mais desenvolvidos e industrializados, e que por isso emitem mais carbono, também devam reduzir mais fortemente as suas emissões. É o que reza o Protocolo de Quioto, do qual são signatários países que perceberam com clareza que é preciso investir agora para economizar no futuro.

Como um mecanismo financeiro do Protocolo de Quioto, foi criado um “mercado de carbono” onde empresas que não conseguiram reduzir as suas emissões na par- cela necessária podem comprar créditos de carbono, que podem ser emitidos toda vez que empresas reduzem emissões de gases de efeito estufa além da cota obrigatória ou projetos retirem esses gases já emitidos para a atmosfera. Para exemplificar o funcionamento desse mercado, a prefeitura de São Paulo, ao instalar um sistema de queima do gás metano gerando energia elétrica no Aterro Bandeirantes, em Perus, emitiu títulos correspondentes a mais de 800 toneladas de carbono que deixaram de ser lançados à atmosfera. Esses títulos foram arrematados no mês de setembro por um banco da Europa e serão revendidos a empresas desse continente, cujas emissões permaneçam excedentes aos limites estabelecidos. Nesse leilão, a prefeitura de São Paulo arrecadou mais de R$ 30 milhões, que poderão ser investidos em novos projetos e na melhoria das condições ambientais.

De prejuízo incalculável, o aquecimento global pode vir a se tornar um negócio lucrativo e uma grande oportunidade para os países em desenvolvimento. Basta que os líderes mundiais ratifiquem novamente o protocolo em 2008.

Por Luciano Konzen
Mestre em Geofísica pela USP
Foto: Banco de Imagens – freeimagens.com
Publicada na 2ª. Edição – Novembro / 2007

Edições Anteriores
Conheça todas as edições anteriores
da revista viverde.

Cadastre-se

Para receber nossa newsletter, cadastre seu email no campo abaixo.

Apoio