Entrevista Especial
Nelson Araújo
Ano 6 - Edição 28 - Set/Out de 2014

Não é Definitivo

Publicado em 22 de Janeiro 2014

Não é Definitivo

Nada no Universo é definitivo. Tudo um dia vai deixar de existir, provavelmente até o próprio Universo. Partindo dessa premissa, assustadora talvez, porém realista e inevitável, para que nos preocuparmos tanto com coisas que muitas vezes fogem completamente ao nosso domínio? O petróleo, que, meramente por interesses financeiros, praticamente move o mundo, vai se acabar em menos de duzentos anos; a água potável, em igual período, será extremamente escassa; fauna e flora já têm seu destino traçado, ou seja, a extinção; o próprio crescimento populacional é um fator de autoextermínio, chuva ácida, buraco na camada de ozônio, degelo dos polos e, no final das contas, até o próprio Sol vai deixar de nos gerar calor.

As transformações pelas quais a Terra sempre passou e ainda irá passar são inevitáveis, incontroláveis e irreversíveis. Para que, então, nos preocuparmos? Por um motivo bem simples: Porque nos negamos a deixar “tudo” acabar. Não conseguimos conceituar o fim do Universo e, sendo assim, vamos lutar para que ele sobreviva pelo menos a nós.

A vida e o nosso Planeta podem e devem ser respeitados e preservados em todos os seus aspectos. Não apenas nas grandes formas de vida ou formações geológicas, mas principalmente naquelas que julgamos pequenas. Muitas vezes, essas é que podem ser as realmente importantes.

O Mar cobre quase setenta por cento da superfície da terra, mas isso também não é definitivo pois o efeito estufa deve diminuir muito a “terra firme”.

A temperatura dos oceanos vem subindo a cada ano, alterando todo o ecossistema marinho. Tudo é uma questão de ver. De ver, principalmente, com os olhos do coração.

Preservar não é apenas gritar “slogans” ou agitar bandeiras. É uma questão de atitude. O respeito ao Mar vai muito além da “proibição disto ou daquilo”; respeitar o Mar é usufruir dele com consciência e responsabilidade, é amar o Mar... já! E sabemos que o amor é exigente. A ganância humana dilapida o mar e as criaturas que nele habitam, com a velocidade da luz.

Alguns ficarão ricos, afinal petróleo, gás natural, pesca de lagosta e outras atividades de exploração marinha geram fortunas! Mas... fortunas para serem gastas em quê? Que prazer terão esses “novos ricos” num mundo onde o Mar estará morto? Sem magia, sem sedução, sem vida?

Felizmente, ainda estamos vivos e nos apegaremos à vida (nossa e do Mar) como nossos bens mais preciosos... e eles o são.Tomara que não sejam apenas bens temporários. Mas desconfiamos que nunca serão perpétuos. Tomara que vivamos por muitos anos.

Sempre é tempo de repensar atitudes e pontos de vista. Nenhum de nós é dono da verdade absoluta. Talvez, a única verdade seja a de que nada é definitivo. E, sem dúvida, o que foi escrito aqui também NÃO É DEFINITIVO.

Evandro Fernandes
Instrutor de Mergulho
contato: easydive@easydive.com.br

Publicado na 16ª. Edição / 2010

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