Entrevista Especial
Nelson Araújo
Ano 6 - Edição 28 - Set/Out de 2014

Aprendendo a distinguir medo de fobia.

Publicado em 22 de Janeiro 2014

Aprendendo a distinguir medo de fobia.

Por Miriam Araujo

O medo é um sentimento universal. Estudos mostram ser uma emoção inata dos animais, inclusive o ser humano e necessária para proteção e perpetuação da espécie. Quando uma pessoa vivencia uma situação de perigo, o processo abrange desde a decisão de lutar como a de fugir, até o acúmulo de estresse e ansiedade, podendo levar ao esgotamento físico e mental.

Um estímulo que desperte medo é capaz, em questão de segundos, de liberar adrenalina pelo corpo e prepará-lo para uma rápida defesa. Quando a adrenalina é liberada em excesso na corrente sanguínea, começam a se desencadear os sintomas como taquicardia (coração dispara), sudorese, respiração ofegante (rápida) e contrações musculares.

Certas reações de medo são normais para nos salvar dos perigos.

Na fobia este medo é desproporcional e a ameaça por definição irracional, parece excessiva, com fortíssimos sinais de perigo e com tendência a evitar as situações causadoras de medo.

O grau de ansiedade na fobia é altíssimo. Podemos entender isso quando falamos de estar ou ser.

Ser ansioso é possuir sensação de tensão, apreensão e inquietação dominando todos os demais aspectos de nossa personalidade. Estar ansioso é tudo isso, acrescido de manifestações orgânicas tais como taquicardia, suor intenso, tonturas, náuseas, falta de ar, respiração curta, etc.

Os transtornos de ansiedade podem se manifestar com súbitos ataques do pânico, que podem evoluir para o transtorno de pânico, como fobia simples, fobia social, transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Ainda encontramos o transtorno pós- traumático (TEPT) e transtorno de ansiedade generalizada (TAG).

A fobia social (TAS- transtorno de ansiedade social) ocorre quando a ansiedade é excessiva e persistente ou constante. Medo de situações sociais nas quais a pessoa possa ser o centro das atenções - observada, julgada negativamente ou humilhada.

Geralmente, as pessoas com esse tipo de fobia evitam eventos sociais ou, quando impossível, o enfrentam com muito sofrimento. Muitas vezes o sofrimento começa dias antes, pela expectativa de vivenciar a situação. Esse tipo de fobia faz com que a pessoa se isole e sofra uma profunda sensação de solidão. Julga-se a única culpada de seus problemas.

Este tipo de ansiedade pode aparecer de forma circunscrita, ou seja, encontra-se em determinadas situações tais como: comer, escrever ou falar em público, ou generalizada - essa ocorre em grande número de situações tais como falar ou tratar com superiores, chefes, falar com estranhos, ir ao banheiro ou em lugares públicos, ou situações em que possam ser julgados, observados ou avaliados.

Os sintomas físicos mais comuns neste tipo de fobia são: rubor facial, sudorese intensa, tremores, tensão muscular, voz oscilante, taquicardia, tontura, opressão torácica e boca seca.

A pessoa acredita que os outros estão percebendo tal situação, o que faz com que a sensação se intensifique. Essas sensações podem chegar ao ataque de pânico. A pessoa tem a sensação de um medo terrível. Quando a pessoa sofre um pânico, tende a fugir da situação o mais rápido possível, sentindo um profundo sentimento de humilhação e vergonha.

Esse tipo de fobia pode causar grandes prejuízos na vida profissional, escolar, social e afetiva das pessoas. Muitas pessoas com fobia social tentam amenizar os sintomas se automedicando, ou seja, tentam vencer a timidez patológica utilizando álcool, drogas ou medicamentos inadequados. Essa atitude de utilização imprópria de medicamentos pode causar sérios problemas e no lugar de ajudar, prejudica ainda mais.

O tratamento normalmente inclui a combinação de psicoterapia e medicamentos. Procurar a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra o mais cedo possível, pode significar o alívio e a cura para quem está preocupado com seus medos ou ansiedades.

Na próxima edição, a continuação desta matéria: agorafobia e fobia específica ou fobia simples.

Mirian Araújo é Psicóloga/acupunturista e Analista Junguiana - Fone: 5613-6407 - e-mail: liarau@globo.com

Matéria publicada na 4ª. Edição / 2008

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