Entrevista Especial
Nelson Araújo
Ano 6 - Edição 28 - Set/Out de 2014

Gruna ou gruta? O importante é preservar a caverna de Mambaí!

Publicado em 06 de Março de 2016

Uma das maiores cavernas brasileiras pode virar Monumento Natural Cavidades subterrâneas protegem biodiversidade sensível e única no país

Quando você pensa em uma caverna, qual a imagem que vem à sua cabeça? Talvez uma pequena abertura na rocha para que animais possam se proteger ou uma grande abertura com um lago no fundo. Mas, já imaginou uma caverna de dez quilômetros com belas paisagens que protegem espécies ainda desconhecidas? Essa é a realidade naGruna da Tarimba, a décima primeira maior caverna do Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Espeleologia, localizada em Mambaí (GO), a 500 km de Goiânia e na divisa com a Bahia.
 
A área, apesar de bela e única, está ameaçada pela pressão agropecuária, principalmente para culturas de algodão, soja e criação de gado. Os pesticidas utilizados nessas lavouras, bem como o assoreamento gerado pelo manejo precário das pastagens, prejudicam o ambiente subterrâneo e, consequentemente, as espécies que dele dependem. Além disso, a população local tem o costume de jogar lixo na caverna, o que impacta diretamente a região. Com o objetivo de proteger a biodiversidade local, a Fundação Grupo Boticário de Proteção a Natureza apoiou uma iniciativa que propõe a criação de uma unidade de conservação (UC) na área da gruna, por meio de uma caracterização ambiental da área e elaboração da proposta para criação de um Monumento Natural.
 
“As cavernas são ambientes naturais bastante sensíveis, com biodiversidade muito rica e própria. Protegê-las é conservar parte da história natural do país e contribuir para que essas espécies continuem ocorrendo na região”, afirma Malu Nunes, diretora executivada Fundação Grupo Boticário. Em 2015, por meio do mesmo projeto, foi descoberta uma nova espécie de peixe na caverna, o Ituglanis boticario, que já está ameaçada de extinção.
 
Segundo Heros Lobo, pesquisador da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador do projeto de criação da UC, o objetivo é que a Gruna da Tarimba se transforme em Monumento Natural, que tem por objetivo conservar um elemento natural único, de extrema raridade ou beleza cênica. “Além disso, escolhemos essa categoria porque ela é de proteção integral, isto é, seus recursos naturais só podem ser utilizados de forma indireta, sem extração, dano ou consumo desse patrimônio, conservando-os de forma mais efetiva”, mas sem a necessidade de desapropriação das áreas, o que facilita a sua criação, explica. Lobo comenta que a região já está dentro de uma Área de Proteção Ambiental (APA), mas que, apesar disso, ela está sob pressão.
 
O processo 13898/2015 para criação do Monumento Natural pode ser acompanhado por meio deste link. De acordo com o gerente de áreas protegidas da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos do Estado de Goiás, Eric Kolailat, a criação da nova UC é fundamental, mas pode demorar a se concretizar. “Estamos em fase inicial e processos como esse não são rápidos. Pode levar cinco ou seis anos para que seja estabelecido um decreto ou lei que regularize a situação”, explica.
 
Para Heros Lobo, para que esse processo seja mais ágil e dinâmico, o diálogo com a comunidade local é essencial, bem como o apoio da sociedade como um todo. “Já estamos com vários atores locais abertos à conversa e estamos confiantes que com o apoio deles conseguiremos criar a nova Unidade de Conservação”, conclui.
 
A iniciativa é coordenada pela União Paulista de Espeleologia (UPE), com apoio do Grupo Espeleológico Goiano (GREGO), da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) e UFSCar.
 
Potencial turístico
Além da relevância ambiental, a Gruna da Tarimba e a região como um todo têm enorme potencial turístico
que é subaproveitado atualmente. “A natureza no município é rica e permite rafting nos rios, turismo nas cachoeiras e visitação não apenas na grunada Tarimba, mas em outras cavernas da região também”, ressalta Lobo.
 
Segundo ele, o ecoturismo pode ser grande vetor de desenvolvimento para Mambaí, pois movimenta o comércio de restaurantes, receptivos, artesanato, hotéis e pousadas, gerando mais renda para o município.
 
Sobre a Fundação Grupo Boticário: a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.457 projetos de 488 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país.  Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis. Nainternet: www.fundacaogrupoboticario.org.br, www.twitter.com/fund_boticario e www.facebook.com/fundacaogrupoboticario.
 
Crédito das fotos: Ricardo Martinelli

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